Para entender o verdadeiro salto tecnológico que a Samsung deu nos últimos anos e como o mercado de smartphones mudou seu foco, vale a pena olhar pelo retrovisor e resgatar a ficha técnica de um peso-pesado clássico. Pega o Samsung Galaxy Note 20 Dual Sim LTE, por exemplo. Lançado ali pelo terceiro trimestre de 2020, o aparelho vinha de fábrica com o Android 11 sob a interface Samsung One UI 3.0. Era um bloco elegante de 161.6 x 75.2 x 8.3 mm, pesando seus 192 gramas, e com a sempre bem-vinda resistência à água. Sob o capô, o bicho era alimentado por um chipset SAMSUNG Exynos 990 de 64 bits, combinando um processador octa-core bruto (2x 2.73 GHz Mongoose M5, 2x 2.5 GHz Cortex-A76 e 4x 2.0 GHz Cortex-A55) com a GPU Mali-G77 MP11. Acompanhado de 8 GB de RAM e 256 GB de memória interna cravada — já que não aceitava expansão via cartão —, ele entregava uma performance que ditava as regras do mercado.
Na parte de conectividade e sensores, o Note 20 era um canivete suíço. A rede suportava Nano Sim em esquema Dual stand-by, garantindo o feijão com arroz do Gsm Quad Band (850/900/1800/1900), HSPA+ e LTE, batendo velocidades teóricas monstruosas de download de 2000 Mbps e upload de 150 Mbps. Ele já incluía Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac/ax com Wi-Fi Direct, Bluetooth 5.0 com A2DP/LE/aptX, NFC, USB Type-C 3.1 e um módulo de localização completão com A-GPS, GLONASS, BeiDou e Galileo. Para manter tudo funcionando, a Samsung colocou uma bateria LiPo de 4300 mAh, além de um arsenal de sensores de respeito: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, leitor de impressão digital, microfone com redução de ruído, barômetro, além de suporte a vibração e viva voz. O aparelho só ficava devendo mesmo a função de TV nativa.
A experiência visual e fotográfica do Note 20 era outro espetáculo à parte na época. A tela Super AMOLED Plus de 6.7 polegadas preenchia o painel com uma resolução de 1080 x 2400 pixels e densidade de 394 ppi, rodando a 60 Hz e exibindo 16 milhões de cores, tudo muito bem protegido pelo Gorilla Glass 5. Quando o assunto era câmera, o conjunto traseiro ostentava lentes de 12 Mp, 64 Mp e 12 Mp, tirando fotos em altíssima resolução (4000 x 3000 pixels) graças às aberturas de F 1.8, F 2 e F 2.2. A estabilização ótica, foco por toque, autofoco, flash LED e HDR garantiam imagens nítidas, enquanto a inteligência do aparelho cuidava da detecção facial, detecção de sorriso e registro de localização. O ângulo máximo de captura chegava a 120 graus e o zoom ótico cravava 3x. E olha a moral do vídeo: o smartphone já gravava em estonteantes 8K UHD a 24 fps, com direito a auto focagem de vídeo, captura de foto durante a gravação, gravação de som estéreo, vídeo em HDR, modo Slow Motion a absurdos 960 fps e função Dual Rec. A câmera frontal de 10 Mp (F 2.2) não ficava atrás, trazendo opções de Dual Shot, HDR, detecção de rosto, autofoco e gravação de vídeo em 4K (2160p) a 60fps, com estabilização de vídeo a tiracolo.
Mas o mercado mobile é uma roda que não para de girar. Se antes a grande jogada era empilhar megapixels e clocks de processador, hoje a verdadeira mágica acontece no software e na inteligência artificial.
Nas últimas semanas, a Samsung começou a injetar ferramentas de IA novinhas em folha, que deram as caras primeiro no novíssimo Galaxy S26, em celulares mais antigos através da atualização da One UI 8.5. E a fofoca boa do momento é que o aclamado recurso Câmera com Bloqueio Horizontal (Horizontal Lock) do S26 pode estar a caminho de outros aparelhos da casa muito em breve. Quem cantou a pedra foi o leaker Tarun Vats no X. Ele pescou a resposta de um moderador nos fóruns da comunidade Samsung para um usuário que perguntava exatamente sobre a expansão desse recurso. O moderador mandou a real: “Sobre a digitalização de documentos e os recursos do Horizontal Super Steady que você mencionou, que estão disponíveis desde a série Galaxy S26, estamos nos preparando para suportá-los em uma gama maior de dispositivos. Assim que o cronograma for confirmado, anunciaremos os detalhes via Samsung Members.”
Para quem está por fora da novidade, a opção de Bloqueio Horizontal dentro do modo de câmera Super Steady estabiliza o vídeo travando a linha do horizonte para imitar o comportamento de um gimbal mecânico. O resultado é que a gravação fica perfeitamente nivelada, mesmo que você gire o celular em 360 graus. Durante o evento para a imprensa antes do lançamento do S26 no começo do ano, a Samsung gastou uma cota boa de tempo dissecando e demonstrando isso. Acabou que os holofotes na época ficaram em cima do polêmico aumento de preço e da nova tela de privacidade, mas estava na cara que o Bloqueio Horizontal era a menina dos olhos da marca.
E isso revela a subtrama de toda a linha Galaxy S26: matar de vez a necessidade de comprar penduricalhos físicos. A tela de privacidade nativa, que por sinal funciona assustadoramente bem, anula a necessidade de colar aquelas películas foscas anti-espião. Na mesma pegada, o novo Gorilla Glass Armor 2 veio para aposentar os protetores de tela tradicionais — o youtuber JerryRigEverything comprovou isso ao não conseguir reproduzir na tela do S26 os mesmos arranhões profundos que fazia no Galaxy S25 Ultra. E o Bloqueio Horizontal entra para fechar o pacote, te fazendo esquecer que gimbals existem.
A grande dúvida que fica é sobre a compatibilidade. Quando essa função vai de fato pousar nos celulares mais velhos e quem vai ser o felizardo a receber? Se a gente seguir a cartilha de como a One UI 8.5 está sendo desenhada, a linha de corte pesada para receber essas novidades parece ser a geração de 2024. A galera que tem um Galaxy S24 ou os topos de linha lançados depois dele vão ganhar aquele pacote de ferramentas de IA do S26, tipo o Apagador de Áudio aprimorado, o Creative Studio e o Filtro de Chamadas. Agora, se o seu guerreiro é um Galaxy S23 ou algum flagship anterior a 2023, as chances desses mesmos recursos de IA darem as caras por aí são mínimas. Pode ser uma barreira de hardware, já que o Snapdragon 8 Gen 3 da série S24 foi concebido com foco em IA generativa, ou talvez seja só a Samsung forçando uma linha divisória para fazer a galera trocar de aparelho. De qualquer forma, a chance do Bloqueio Horizontal chegar em algo mais antigo que a linha S24 é bem pequena.
Apesar da incerteza sobre o recurso de câmera, o ecossistema segue avançando. Em uma atualização de 6 de maio, a Samsung finalmente começou a liberar a versão estável da One UI 8.5, que roda por baixo dos panos o Android 16. Segundo informações do Tarun Vats, essa versão estável vai pintar primeiro para os usuários na Coreia do Sul. A lista VIP até agora inclui os dobráveis Galaxy Z Fold 7 e Flip 7, além de toda a família Galaxy S25, abraçando também as versões Edge e FE.
Quem já estava testando as versões beta da One UI 8.5 nos últimos meses deve receber a atualização final nos próximos dias ou semanas, e isso bota na conta a turma do Galaxy S24, a série S23, além dos Z Fold 6, Flip 6, Z Fold 5 e Flip 5. Ainda não soltaram as datas precisas para outros países, mas o mercado indiano e o americano devem entrar no radar logo em seguida. Só um aviso importante para alinhar as expectativas: aparelhos diferentes vão receber um “sabor” diferente da One UI 8.5. A galera com celulares lançados em 2023 muito provavelmente não vai colocar as mãos naquele pacote pesado de IA do S26 que comentamos. No entanto, pelo menos vão receber a nova versão avançada da Bixby, que agora é inteiramente alimentada pela Perplexity AI. No fim das contas, a evolução é implacável: o que no Note 20 era resolvido com força bruta de hardware, hoje a linha S26 e suas atualizações resolvem com inteligência e linhas de código.